Conheça os principais problemas em diabetes e as Políticas Públicas para que as pessoas com a condição tenham o tratamento adequado!


Para começar este texto, precisamos definir o que são políticas públicas antes de entrar propriamente no cenário do diabetes. Segundo o pesquisador colombiano Andre Noel Roth Deubel, em seu livro: Políticas públicas: formulación, implementación y evaluación, "conjunto de sucessivas iniciativas, decisões e ações do regime político frente a situações socialmente problemáticas e que buscam a resolução das mesmas, ou pelo menos trazê-las a níveis manejáveis”.

Simplificando, política pública é a soma de atividades do governo nas escalas federal, estadual e municipal, com vistas ao atendimento a determinados setores da sociedade civil. Elas podem ser desenvolvidas em parcerias com organizações não governamentais e, como se verifica mais recentemente, com a iniciativa privada. Tradicionalmente são baseadas em 4 elementos centrais: dependem do envolvimento do governo, da percepção de um problema, da definição de um objetivo e da configuração de um processo de ação.

Ultimamente, temos visto nos meios de comunicação muitas reclamações com relação às faltas de: medicamentos em várias localidades, profissionais especializados em diabetes, informação por parte dos pacientes, humanização nos atendimentos, relacionamento entre as secretarias de saúde municipais e estaduais e o Ministério da Saúde. Com este panorama tão animador, entrevistei a Dra. Karla Melo, Coordenadora do Departamento de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes para linkar os principais problemas em diabetes e que precisam urgentemente de políticas públicas para que as pessoas com a condição tenham o tratamento adequado:

 No SUS, o cuidado com a saúde está organizado em níveis de atenção (Atenção Primária, Média Complexidade e Alta Complexidade), buscando uma melhor programação e o planejamento das ações e serviços do sistema.  Para melhorarmos o controle de 75% ou mais pessoas com diabetes do Brasil, atendidos pelo SUS, necessitamos de algumas iniciativas na saúde pública. Há necessidade de capacitação em diabetes para os profissionais da Atenção Primária (onde deve ser realizado a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação dos pacientes, realizado pelas especialidades básicas da Saúde, que são clínica médica, pediatria, obstetrícia e ginecologia, odontologia e ações da enfermagem). Na média complexidade (unidades com disponibilidade de profissionais especializados e o uso de recursos tecnológicos de apoio diagnóstico e terapêutico) há necessidade de atualização no acompanhamento e seguimento dos pacientes com diabetes, principalmente em terapias mais complexas, como a insulinoterapia). Na alta complexidade (alta tecnologia e alto custo, objetivando propiciar à população acesso a serviços qualificados), deveriam ser padronizados e acompanhados os tratamentos de maior complexidade e custo para pessoas com diabetes de difícil controle com os medicamentos disponibilizados pelo SUS.  

2 – Política de progressão de carreira para os profissionais de saúde dentro das instituições. Esta medida estabiliza os profissionais já capacitados no atendimento de pessoas com diabetes na rede de saúde pública;

3 – Educação em diabetes para os pacientes. É importante ter programas de educação em diabetes para que o paciente tenha mais adesão ao tratamento e possa fazer o autogerenciamento de sua doença, e ganhar mais qualidade de vida;

 Humanização no atendimento: ouvindo o relato do dia-a-dia de um paciente crônico, conseguimos adequar mais facilmente a sua terapia. Assim, ele será acompanhado por equipes multidisciplinares;

5 – Homogeneizar o atendimento das pessoas com diabetes de todo o Brasil. Não podemos conceber que na saúde pública de diferentes estados e municípios do país sejam oferecidos medicamentos diferentes e quantidades diferentes de tiras para glicemia domiciliar;

6 – Disponibilização de sociedades médicas e de profissionais de saúde para discutir a assistência às pessoas com diabetes, construindo consensos e estabelecendo as políticas de tratamento de pessoas com a condição, nos três níveis de cuidados com a saúde;

7 – Educação em diabetes nas escolas. É importante que a criança com a condição possa fazer um tratamento adequado em ambiente escolar e que possa ter o suporte para intervenções, caso haja necessidade. Para isso, há o exemplo do Projeto KiDS. Veja mais detalhes em: http://www.adj.org.br/site/noticias_read.asp?id=1782&tipo=7

8 – Controle dos medicamentos e insumos disponibilizados pelo governo, para conhecimento da eficácia e segurança do tratamento em uso e a necessidade de evolução terapêutica.

Se você tem mais alguma ideia de políticas públicas para preencher esta lista, é só mandar as sugestões para: convivenciacomdiabetes@gmail.com

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